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O que aconteceu com a Hanjin Shipping?

Um grande caos para as companhias de transporte marítimo e para as proprietárias das mercadorias que estão tramitam em contêineres acaba de vir à tona. A maior companhia de transporte marítimo da Coreia do Sul e sétima do mundo, a Hanjin Shipping, entra em falência. A empresa não conseguiu assegurar os fundos de que necessitava para sobreviver a um colapso.

A Hanjin é a última vítima da queda do comércio global depois da crise financeira de 2008, um problema agravado pela redução dos preços praticados. Uma prova disto é que suas ações – durante os últimos quatro anos – desvalorizaram cerca de 66% de seu valor.

De acordo com reportagem da BBC, toda a frota – as embarcações, a carga e a tripulação – está em uma espécie de “limbo”, já que não atracam nem voltam para casa. Visto que caso a Hanjin e seus sócios e credores não entrem em um acordo, os portos estarão retendo contêineres desembarcados da Hanjin, como garantia de pagamento de suas dívidas, essa continuará sendo a situação dos navios e de seus marinheiros, pois em cada embarcação à deriva há entre 15 e 25 pessoas. A mesma entra com alto grau de risco por conta de dívidas, que chegam a 5,5 bilhões de dólares.

Segundo presidente-executivo da Consultoria Sea Intelligence, na Dinamarca, são (no total) cerca de 540 mil contêineres com carga retidos no mar. Assim, grande parte dessas mercadorias tem como destino final os EUA, na época de maior movimento comercial, o fim do ano (como pelo Natal), e qualquer interrupção será uma grande dor de cabeça para as empresas que apostaram na Hanjin para entregar seus produtos.

A estrutura da propriedade de navios dentro da Hanjin é confusa, já que a empresa opera em parte com navios próprios e também com navios alugados de outras companhias. Um exemplo é a Samsung, que recorreu à justiça para recuperar bens que estão a bordo dos navios. A empresa pediu a um juiz norte-americano que permita que as embarcações atraquem sem que as cargas sejam retidas. Para isso, a Samsung está disposta a pagar aos trabalhadores portuários para que descarreguem a mercadoria, o valor disso chegaria a 38 milhões de dólares.

A falência da Hanjin Shipping é a maior que já atingiu o setor de transportes marítimos, ou seja, não há precedentes ou indicativos de o que pode acontecer agora. Pelo menos não em uma escala que possa ser comparada. Navios, cargas e tripulação podem ficar à deriva por semanas ou meses, sem saber quando e onde suas viagens vão terminar. A Hanjin tem até ao dia 25 de Novembro para apresentar uma solução.

 

Por Raphael Bertão

Fonte:
BBC, "Os 540 mil contêineres que não podem desembarcar em nenhum porto". 
Publicado em 05 de Setembro de 2016.

The Guardian, "Hanjin Shipping bankruptcy causes turmoil in global sea freight". Publicado em 02 de Setembro de 2016.

 

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