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O Salto Olímpico no Setor Portuário e o que Fica para o Rio

A escolha do Comitê Olímpico Internacional em sediar as Olímpiadas 2016 no Rio de Janeiro foi motivo de muito orgulho para os brasileiros, e principalmente para os cariocas. Por outro lado, também gerou muitas dúvidas e questionamentos quanto à capacidade de se realizar um evento de tamanha grandiosidade. Os desafios foram além da construção de uma vila olímpica e perpassam pelas necessidades relacionadas principalmente à segurança e mobilidade, que garantem o bom funcionamento da cidade a todos os visitantes e habitantes.

Mas como ficaria a questão portuária? Como fazer as provas de vela sem inviabilizar a entrada e saída de navios na baía de Guanabara? Como garantir a segurança e a boa mobilidade em vias como Av. Brasil, que tem um fluxo diário de centenas de caminhões? A equipe da Empresa Olímpica Municipal (EOM) foi quem teve que fazer essas e outras perguntas para desenvolver um plano de mobilidade que garantisse todas as exigências do Comitê Olímpico Internacional, mas que também não prejudicasse as empresas que atuam na cidade. A EOM reuniu as grandes empresas e associações dos setores de saúde, hotelaria e logística para informar aos diversos setores as decisões da prefeitura, entender as necessidades do setor privado e, dessa forma, não inviabilizar as operações de cada empresa, mas ainda garantindo a segurança.

O trabalho feito pela EOM se tornou ainda mais complexo pois buscou o equilíbrio entre diferentes interesses e necessidades. Com a quantidade de atletas e delegações de todo o mundo, foi imprescindível que houvesse um esquema que garantisse a segurança. Isso variava desde impedir que visitantes estrangeiros fossem assaltados ou até mesmo para evitar qualquer possível ação terrorista. Para isso, a prefeitura precisou limitar diversos acessos em toda cidade e fez restrições com horários determinados para alguns veículos poderem circular ou até mesmo a total restrição de acesso a algumas áreas.

Em contrapartida, as restrições afetaram qualquer um que precisasse sair ou entrar em áreas restritas durante toda a Olimpíada. Assim, a EOM teve a missão de buscar todos os possíveis afetados pelas restrições para que o dia a dia de cada um não fosse prejudicado. Desde condomínios para moradia que estavam localizados em áreas restritas, até mesmo hospitais, hotéis, o porto da cidade e os integrantes dessa cadeia logística.

A busca por esse equilíbrio foi como um cabo de guerra entre os responsáveis por garantir a segurança; e empresas e associações. De um lado a segurança defendia mais restrições, e de outro as empresas pleiteavam mais flexibilidade.

Ao final, no que afeta a atividade portuária, foi feito um plano de restrições de horários para transitar na Av. Brasil e para navegação na Baía de Guanabara. No início as restrições desagradaram muitas empresas, mas a EOM conseguiu flexibilizar esses horários, de forma que as empresas precisaram adequar suas operações, mas sem paralisá-las. Para chegar a esse equilíbrio, foram dezenas de reuniões, ao longo de muitos meses, quando reuniram-se as mais diversas associações de empresas e representantes de grandes grupos econômicos.

Foram criados pela EOM três Comitês de Crise (Saúde, Hotelaria e Logística), com o objetivo de dar assistência às empresas em caso de eventuais fugas ao planejamento das restrições. Em complemento, o Sindario também criou um comitê interno de crise em que seus funcionários estiveram de “stand-by” para receber qualquer problema enfrentado por seus associados e assim buscar a solução com a EOM.

Em entrevista ao SindaRio, o Diretor de Operações da EOM, Sr. Leonardo Maciel afirmou que para pensar o legado deixado pelas Olimpíada à cidade, deve-se dividi-lo em duas vertentes: o tangível (relacionado às obras de infraestrutura) e o intangível (as expectativas geradas e alcançadas entre os órgãos públicos e privados). Segundo o Sr. Leonardo Maciel, a Olimpíada potencializou a relação entre o usuário da região portuária do Rio de Janeiro com o poder público. Para ele, um dos grandes legados deixados pelas Olimpíadas foi a aproximação do poder público com as associações e a classe empresária.

Ele lembrou que, como em todo grande evento, sempre ocorrem problemas e imprevistos. Por isso, obviamente os planos de restrições não agradaram a todos os empresários. Mas muitas empresas tiveram facilidade de se adequar às restrições e esse pode ter sido um dos aspectos positivos do plano da EOM. Segundo o Sr. Leonardo, as Olimpíadas serviram como grande oportunidade para muitas companhias reverem suas operações, sendo obrigadas a realiza-las em menos tempo. Ou seja, as restrições impostas pelos Jogos Olímpicos levaram o meio empresarial a perceber que poderia atingir um nível maior de eficiência.

Também observou o sucesso do trabalho concentrado feito pelos anuentes. Mencionou o comprometimento, a boa comunicação e a integração como fatores que levaram ao sucesso desse trabalho.

O termo “legado” pode facilmente ser associado aos grandes eventos mundiais – como as Olimpíadas e Copas do Mundo –, nos últimos anos esse tema passa a ser tratado à exaustão, ponderando os resultados para as cidades sedes após os Jogos de Barcelona (1992), Atenas (2004), Pequim (2008) e Londres (2012). Tudo que foi construído para os Jogos fica para a cidade do Rio, esse é o real legado. De fato, foram inúmeras as medidas de facilitação da mobilidade urbana, que também refletiram numa melhor dinâmica para o setor portuário. Agora, a grande dúvida é se essas medidas se manterão e como aproveitá-las para o desenvolvimento do comércio exterior brasileiro.

Kim Milward - Assistente de Diretoria Executiva

Raphael Bertão - Estagiário de Relações Internacionais do SindaRio

 

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